Sejam bem-vindos ao “Fevereiro Roxo e Laranja”. O segundo mês do ano traz a importante campanha que visa conscientizar a população acerca das doenças que afetam a qualidade de vida de muitos brasileiros: Lúpus, Fibromialgia, Alzheimer e Leucemia. Mas de que maneira a terapia canabinoide pode atuar como aliada no tratamento destas condições? Do lúpus à leucemia, o impacto das condições discutidas é profundo e multidimensional. E é neste sentido que os produtos à base de Cannabis se apresentam como uma opção auxiliar que merece consideração.
O papel do sistema endocanabinoide e como ele pode atuar nas condições do Fevereiro Roxo e Laranja
Primeiramente, a médica Dra. Lia Likier Steinberg esclarece que os efeitos acontecem através do nosso sistema endocanabinoide, descoberto em 1992, o sistema endocanabinoide é uma rede complexa de receptores, endocanabinoides (substâncias produzidas pelo próprio organismo) e enzimas que regulam a produção e a degradação desses compostos.
Ele está presente em todo o corpo e é fundamental na modulação de várias funções, incluindo dor, humor, apetite, inflamação, e resposta imune.
“Nosso corpo tem receptores das principais substâncias presentes na planta. A função dessas substâncias, é exatamente manter um equilíbrio entre as células nos diferentes sistemas do nosso corpo. E as patologias que tem fundo de reações inflamatórias acabam sendo beneficiadas quando a gente pode oferecer um ‘substituto’, um estimulador do sistema endocanabinoide através da planta da Cannabis com as suas substâncias”, explica Dra. Lia.
Ademais, o médico Dr. Rodrigo Eboli da Costa enfatiza que a Cannabis não substitui os tratamentos convencionais de muitas condições, como o câncer, por exemplo, mas é sim uma ferramenta útil no alívio de efeitos colaterais. Neste sentido, Lúpus, fibromialgia, Alzheimer e leucemia são condições que, embora distintas, compartilham desafios semelhantes em termos de diagnóstico, tratamento e qualidade de vida dos pacientes.
Igualmente, o Ministério da Saúde destaca que essas são condições que a população não tem muito conhecimento sobre os sintomas e consequências no cotidiano do indivíduo, pois algumas delas não possuem cura e sim um tratamento qualificado e prolongado.
A cor roxa foi escolhida para a conscientização do Lúpus, da Fibromialgia e Alzheimer. Já a cor laranja foi incluída na campanha para conscientizar um dos tipos mais graves de câncer, a Leucemia
Fevereiro Roxo: “Se não houver cura, que ao menos haja conforto”
O principal lema da campanha Fevereiro Roxo é “Se não houver cura, que ao menos haja conforto”. O mês “roxo” traz a conscientização sobre o Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer. Entenda agora como a terapia canabinoide pode ser uma aliada para estas condições.
O que é a fibromialgia?
Segunda a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia (FM) é uma condição que se caracteriza por dor muscular generalizada, crônica (dura mais que três meses), mas que não apresenta evidência de inflamação nos locais de dor. Ela é acompanhada de sintomas típicos, como sono não reparador e cansaço. Pode haver também distúrbios do humor como ansiedade e depressão, e muitos pacientes queixam-se de alterações da concentração e de memória.
“A fibromialgia é uma doença inflamatória autoimune, que a gente ainda não conhece direito, mas que mexe com diversos sistemas do nosso corpo. E também com o sono, regulação, fome, saciedade, depressão e motivação. Normalmente, o tratamento com Cannabis começa com uma dose mais baixa, e surgem benefícios no sono, o que é, geralmente, dificultado nas pessoas com fibromialgia. Pois também ajuda a piorar o humor e a dor crônica. Depois que se aumenta a dose, nota-se mudanças nos traços de ansiedade e muitas vezes com uma dose um pouquinho maior, você começa realmente a ter um alívio da da dor da fibromialgia”, pontua Dra. Lia.
Igualmente a médica destaca que pesquisas já revelaram que o uso de fitocanabinoides ajuda a reduzir a dor e pode diminuir a dependência de opiáceos por parte dos pacientes. Além disso, tratamentos com canabinoides demonstraram eficácia na redução do impacto da fibromialgia sobre a qualidade de vida dos pacientes, aliviando também sintomas como ansiedade e insônia.
Veja a live Cannabis no tratamento da fibromialgia
Estudos que apontam benefícios da Cannabis medicinal contra a fibromialgia
Existem diversos estudos hoje em dia que apontam os benefícios da Cannabis medicinal contra a fibromialgia.
Esta recente pesquisa com 306 pacientes do Reino Unido, sugere que houve uma redução de 17% no consumo de opiáceos e melhora geral nos sintomas da fibromialgia. Já um estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e divulgado no ano de 2020 demonstra evidências obtidas sobre a eficácia do uso de fitocanabinoides no tratamento de dores crônicas na fibromialgia. A pesquisa foca no uso do THC no tratamento e obteve dados significativos acerca da redução da gravidade da doença, de 75 para 30 pontos, na escala de 0 a 100, segundo o Questionário de Impacto da Fibromialgia respondido pelos participantes do estudo.
Além disso, um estudo do Departamento de Anestesiologia da Escola de Medicina da Universidade de Michigan mostrou que o uso do CBD é comum entre portadores de fibromialgia. De um grupo de 2.701 pessoas que possuem a patologia, 32% fazia uso do CBD para combater sintomas como ansiedade, insônia e dores crônicas.
Veja relatos de pacientes que encontraram na Cannabis o alívio para a fibromialgia
- “A insônia melhorou 100% e a fibromialgia, 80%”
- A Cannabis é o único remédio que alivia as minhas dores de fibromialgia
- “A Cannabis melhorou as dores da fibromialgia 500%”
O que é o Lúpus?
O Lúpus é caracterizado como um distúrbio crônico que faz com que o organismo produza mais anticorpos que o necessário para manter o organismo em pleno funcionamento. Os anticorpos em excesso passam a atacar o organismo, causando inflamações nos rins, pulmões, pele e articulações. Segundo o Ministério da Saúde, o Lúpus Sistêmico (Les) é a forma mais séria da doença e também a mais comum. Afetando aproximadamente 70% dos pacientes com Lúpus. Ele afeta principalmente mulheres, sendo 9 em 10 pacientes com o risco mais elevado durante a idade fértil.
Entre os fitocanabinoides, o CBD se destaca como a principal alternativa. Já que a molécula possui propriedades anti-inflamatórias, imunomoduladoras e analgésicas que podem ser benéficas para pacientes com lúpus. Estudos mostram que o CBD pode regular a resposta do sistema imunológico, reduzindo a produção de citocinas inflamatórias, que são responsáveis pela inflamação crônica característica do lúpus.
“No lúpus, e outras doenças autoimunes, o próprio corpo passa a enxergar as células do próprio corpo como inimigas, como estranhas, e o SEC realmente causa o contrário. E as medicações que existem para essas doenças, simplesmente suprimem o sistema imunológico, o sistema de defesa da pessoa. E a gente pode usar a Cannabis como um complemento dessa terapia, realmente equilibrando a resposta estranha do nosso organismo”, pontua Dra. Lia.
O que é o Alzheimer?
O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social. Com o passar do tempo, ela também interfere no comportamento e personalidade da pessoa, causando consequências como a perda de memória. O Alzheimer é a causa mais comum de demência – um grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais.
No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas têm a doença de Alzheimer, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
Cannabis no tratamento do Alzheimer
E entre as possibilidades de tratamentos para Alzheimer e seus sintomas, a Cannabis desponta como uma alternativa que tem trazido diferentes resultados positivos.
De acordo com uma pesquisa recente realizada por cientistas chineses, o Canabidiol (CBD) pode contribuir para a prevenção da neurodegeneração associada à doença de Alzheimer. Além disso, o canabinoide também seria útil no alívio desse sintoma, evitando a progressão da enfermidade.
Os resultados do estudo mostraram que o CBD neutralizou substâncias nocivas chamadas placas de beta-amilóide (Aβ) em alguns neurônios específicos. Desse modo, o CBD melhorou problemas causados pelo acúmulo dessas substâncias no cérebro, como problemas na memória.
Os testes feitos in vitro e in vivo, ou seja em células humanas e em roedores no laboratório, revelaram que o CBD é eficaz tanto na prevenção como no tratamento para a doença de Alzheimer.
O CBD, tem demonstrado potencial na promoção da neuroproteção, redução da inflamação e combate ao estresse oxidativo, fatores que contribuem para a progresão do Alzheimer. E este estudo encontrou que o CBD poderia reduzir a formação de proteínas malformadas, como as placas beta-amiloide, que são características da doença.
Perda progressiva da comunicação entre neurônios
Hoje em dia, a doença de Alzheimer é a condição neurodegenerativa mais prevalente, principalmente entre os idosos. E com o aumento da expectativa de vida, esse será um diagnóstico cada vez mais frequente. Portanto, surge a necessidade de termos novas abordagens no tratamento desse transtorno que tragam qualidade de vida a essas pessoas.
A doença de Alzheimer leva à perda progressiva de células nervosas, causando danos irreversíveis. Entre os sinais dessa deterioração dos neurônios, podemos destacar problemas de memória, problemas na fala, problemas motores e problemas para realizar tarefas que antes eram simples.
“Na minha prática clínica, do Alzheimer, muitas pessoas procuram para melhorar a memória. Mas o que a gente vê mesmo é uma melhora da sociabilidade, do bem-estar da própria pessoa. Muitas vezes o tratamento não é o que os familiares gostariam, da cura do Alzheimer, mas de a gente conseguir manter essa pessoa ativa, tranquila e sociável. Ou seja, convivendo com a sua família e com a sociedade por um tempo mais mais prolongado”, pontua Dra. Lia.
O CBD restabelecendo o funcionamento do cérebro com Alzheimer
Neste sentido, nas análises do estudo Assessing Cannabidiol as a Therapeutic Agent for Preventing and Alleviating Alzheimer’s Disease Neurodegeneration, os pesquisadores chineses identificaram que o CBD ajudou a manter níveis normais de proteínas essenciais para a comunicação no cérebro. Além disso, o CBD estimulou a produção de outras substâncias benéficas para o funcionamento do órgão.
Mais do que melhorar a comunicação entre os neurônios, as propriedades anti-inflamatórias do CBD também se mostraram importantes no tratamento do Alzheimer. A redução da atividade de células relacionadas à inflamação também contribuiu para um melhor funcionamento do cérebro. Na conclusão do estudo, os autores destacaram que o CBD deve fazer parte da abordagem terapêutica para a doença de Alzheimer.
Veja a nossa live Cannabis no tratamento do Alzheimer
Fevereiro Laranja
Já o fevereiro laranja serve para conscientizar sobre um dos tipos mais graves de câncer, a Leucemia.
O que é a Leucemia?
Leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos, geralmente, de origem desconhecida. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que em 2019 a leucemia teve mais de 10 mil novos casos. Os sintomas incluem anemia, palidez, sonolência, fadiga, palpitação, manchas roxas na pele ou pontos vermelhos, bem como gânglios linfáticos inchados, perda de peso, febre e dores nas articulações e ossos.
O médico Dr. Rodrigo Eboli da Costa pontua que já existem evidências científicas robustas que comprovam a eficácia dos derivados de Cannabis no controle da dor, náuseas e no estímulo do apetite. “Inclusive organizações como a ASCO, uma entidade internacional, recomendam o uso desses derivados no tratamento de sintomas relacionados ao câncer e seus tratamentos. Com a leucemia não é diferente”.
O artigo intitulado “Anticancer effects of phytocannabinoids used with chemotherapy in leukaemia cells can be improved by altering the sequence of their administration” disponível no repositório da St George’s, University of London, explorou os efeitos anticancerígenos dos fitocanabinoides, especialmente quando utilizados em combinação com a quimioterapia.
A pesquisa destacou que os fitocanabinoides não apenas apresentam atividade anticancerígena quando usados isoladamente, mas também demonstram sinergia positiva quando combinados entre si em estudos in vitro, particularmente em casos de leucemia.
Portanto, a investigação é relevante para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas que possam potencializar os efeitos da quimioterapia e melhorar os resultados para os pacientes com câncer. Porém, Dr. Rodrigo observa que é necessário o paciente abordar com seu médico sobre o uso de Cannabis no tratamento. “O paciente deve se comunicar de maneira aberta e clara com sua equipe médica. É importante discutir dúvidas e questões sobre o uso de Cannabis”.
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𝗜𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮𝗻𝘁𝗲: O acesso legal à Cannabis medicinal no Brasil é permito mediante indicação e prescrição de um profissional de saúde habilitado. Caso você tenha interesse em iniciar um tratamento com canabinoides, consulte um profissional com experiência nessa abordagem terapêutica.