“As respostas do uso da Cannabis são incríveis”, assim definiu o médico Dr. Gabriel Rodrigues da Costa sobre o impacto positivo que o profissional observa ao considerar usar a Cannabis em seus pacientes. Além dos resultados observados em consultórios, as aplicações dos fitocanabinoides têm recebido destaque em pesquisas sobre opções de tratamentos para câncer colorretal.
Hoje, 27 de março, é o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal, data que serve para aumentar a conscientização sobre essa doença que afeta milhares de pessoas em todo o mundo. Primeiramente, vale destacar que a detecção precoce, através de exames preventivos como a colonoscopia, e os avanços nos tratamentos convencionais, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, são fundamentais para aumentar as taxas de cura.
“Realiza-se o rastreio a partir de 45 anos. E, se tem um histórico familiar, depende da idade que o paciente estiver já se realiza o rastreio. E, dependendo se surge alguma alteração, repete-se o exame de 3 em 3 anos ou de 5 em 5. E sempre se mantém o acompanhamento próximo. O rastreamento precoce realmente é imprescindível se tiver histórico familiar”, pontua Dr. Gabriel.
O médico reforça como a prevenção ao câncer colorretal é fundamental, já que o câncer colorretal é uma das principais preocupações de saúde pública no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que até 2025, aproximadamente 45 mil novos casos de câncer de cólon e reto sejam diagnosticados, o que o torna o terceiro tipo mais comum de câncer no país, superado apenas pelo câncer de pele não melanoma.
Cannabis como uma alternativa aos tratamentos convencionais
Neste sentido, a busca por terapias complementares que possam aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e, potencialmente, auxiliar no combate à doença, tem ganhado cada vez mais espaço. Nesse contexto, a Cannabis medicinal surge como uma alternativa promissora. E cientistas ao redor do mundo já desenvolvem suas pesquisas na área.
Pesquisa apontou que o CBD mostrou potencial para modular processos moleculares e reduzir os efeitos adversos das terapias convencionais
Recentemente, este estudo realizado no México explorou o papel terapêutico do Canabidiol (CBD) no câncer colorretal (CCR) por meio de abordagens de farmacologia de rede e análise de docking molecular.
Segundo a pesquisa, o CBD demonstrou interagir com 95 genes comuns relacionados ao CCR, destacando-se seis genes principais (ANXA5, IGF1R, JAK2, MAPK8, MDM2 e PARP1), que estão envolvidos em vias metabólicas críticas, como RAS/MAPK e PI3K-AKT.
Além disso, o CBD mostrou potencial para modular processos moleculares essenciais no câncer colorretal e atuar na infiltração de células imunes. Sugerindo seu uso como terapia complementar para melhorar a eficácia e reduzir os efeitos adversos das terapias convencionais.
Portanto, os achados da pesquisa indicam que o CBD possui potencial como terapia complementar para CCR, visando aumentar a eficácia dos tratamentos convencionais.
Canabidiol e seu efeito no câncer colorretal
Vale esclarecer que o CBD é um fitocanabinoide da Cannabis, conhecido por suas propriedades medicinais, incluindo também atividade antiepiléptica e anti-inflamatória. E estudos in vitro e in vivo sugerem que o CBD tem potencial antitumoral contra o câncer colorretal. No entanto, a influência de mutações específicas do CCR na eficácia do CBD ainda não foi totalmente explorada.
Para investigar essa questão, cientistas selecionaram quatro linhagens de células de CCR (HCT116, HT-29, LS174T e LS153) com diferentes mutações. As células foram tratadas com várias concentrações de CBD para avaliar os efeitos na citotoxicidade, proliferação, migração e invasão celular. Os valores de IC50 foram calculados para cada parâmetro, e a expressão de marcadores da via de estresse do retículo endoplasmático (ER) foi medida por qRTPCR. A sinalização mediada por receptores CB1 ou CB2 foi analisada usando inibidores seletivos.
Os resultados que foram publicados aqui mostraram que o CBD induz a apoptose e inibe a proliferação, migração e invasão de linhagens celulares de CCR de maneira dependente da concentração, com efeitos antitumorais significativos independentemente de mutações como KRAS, BRAF, APC e PTEN.
Além disso, o CBD causou estresse no ER nas células de CCR, mas não em organoides intestinais saudáveis. O tratamento com CBD indicou que a ativação do receptor CB2 está envolvida em um efeito anticancerígeno.
Em suma, os achados sugerem que o CBD pode ser uma terapia eficaz para o câncer colorretal, independentemente das mutações presentes, através da ativação do receptor CB2.
Conte com a Cannabis na luta contra o câncer colorretal
Diante do aumento significativo do número de casos de câncer colorretal e da eficácia emergente de tratamentos à base de Cannabis, há necessidade urgente de uma revisão das práticas de identificação e tratamento da doença.
Porém, mesmo com o avanço de pesquisas científicas, é importante enfatizar que a Cannabis medicinal não deve ser considerada uma cura para o câncer colorretal e não deve substituir os tratamentos convencionais recomendados pelos oncologistas. Para o tratamento com a Cannabis é imprescindível o acompanhamento médico.
No entanto, como terapia complementar, pode ser uma ferramenta valiosa para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e, potencialmente, auxiliar no combate à doença.
Por fim, Dr. Gabriel destaca que a promoção da conscientização, juntamente com um modelo integrado de cuidados que incorpore terapias alternativas pode melhorar consideravelmente o prognóstico para muitos pacientes. E claro, impactar no tratamento e na qualidade de vida.
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O que é câncer colorretal?
O câncer colorretal é um tipo de câncer que começa no cólon ou no reto, que fazem parte do intestino grosso. Esse tipo de câncer pode se desenvolver lentamente ao longo de vários anos, começando como um crescimento não canceroso chamado pólipo. Com o tempo, esses pólipos podem se tornar cancerosos e se espalhar para outras partes do corpo.
Sintomas para ficar atento
Os sintomas do câncer colorretal podem incluir mudanças no hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem motivo aparente, fadiga, fraqueza e sangramento retal. É importante notar que muitas pessoas com câncer colorretal não apresentam nenhum sintoma no início da doença.
Existem vários fatores de risco para o câncer colorretal:
- Idade avançada,
- Histórico familiar da doença
- Dieta rica em gordura e pobre em fibras
- Sedentarismo
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
O tratamento do câncer colorretal pode envolver cirurgia para remover o tumor, quimioterapia e radioterapia. A detecção precoce do câncer colorretal é essencial para um prognóstico mais favorável. É recomendado que homens e mulheres com idade entre 50 e 75 anos façam exames de triagem para o câncer colorretal, incluindo colonoscopia, teste de sangue oculto nas fezes e sigmoidoscopia flexível.